Quando a cidade que dá nome ao concelho fica a muitos quilómetros de distância, é na terra-mãe que os habitantes de rostos enrugados e mãos calejadas plantam as sementes e criam os animais que acabam nas suas mesas.

As aldeias estão praticamente vazias, mas ainda há aqueles que se levantam com as galinhas para cumprimentar o compadre de boina que vem ao café ou a comadre que vem ao tanque de cabelo bem arranjado. E se falta a companhia, o hábito não o estranha e será na horta que se encontra o silêncio que tão bem serve para reavivar aquele fado em ecos escondido na memória.

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“Tem a certeza que quer fotografar estas máscaras?”. Rostos de uma aldeia numa manhã de outono. São Miguel de Machede.

 

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O trabalho na horta começa sempre cedo. As ferramentas acabam por ficar eternamente na terra, é um trabalho que não vê o fim. Quinta em São Miguel de Machede.

 

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“Sexta feira é o melhor dia para vir ao tanque, porque limpam-no à quinta e, assim, hoje a água vem boa para a gente lavar a roupa”. Tanque em São Miguel de Machede.

 

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“Estas que estão a abrir têm de se apanhar logo, se não com a chuva apodrecem e não se aproveita nada”, diz João. Apanha das romãs maduras após manhã de chuva. Quinta em São Miguel de Machede.

 

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Com o muro caído, facilmente se entra no recinto outrora de uma escola primária. O pequeno pátio traseiro, junto aos lavabos, hoje enche-se apenas de folhas e ninhos de andorinhas. Escola na Azaruja.

 

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Vicência espera com o seu gato, Teco, junto ao poço na horta, enquanto Artur e João não chegam com as romãs. Quinta São Miguel de Machede.

 

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“Tivesse vindo mais cedo, encontrava outras senhoras que vieram lavar a roupa, nós é que viemos tarde”. Reflexo do trabalho matinal. Tanque em São Miguel de Machede.

 

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Tobias é um cão de guarda a fingir, no terreno de Vicência e Artur. Uma cara nova, tenha que intenções forem, para o animal é mais uma hipótese que tem de reaver a bola escondida na garagem. Quinta em São Miguel de Machede.

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Artur e João caminham para fora da horta, carregados com romãs, pimentos e couves. É a colheita da manhã. Quinta São Miguel de Machede.

 

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A escola está desativada há muitos anos. Foi, entretanto, construído um agrupamento maior para reunir os alunos de diferentes anos escolares que ainda vivem na vila. Escola na Azaruja.

 

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“Sou eu quem mata os animais aqui da quinta, galinhas, patos, ovelhas. O Artur ganha amizade aos bichos porque os cria desde pequenos, mas então eu sei que os temos aqui para comermos, por isso trato eu disso”, diz Vicência. Quinta em São Miguel de Machede.


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“O meu neto diz que o gato é seu, mas que não o leva para casa dele porque aqui ele está no paraíso”. A companhia na horta. São Miguel de Machede.

 

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Hoje, o recinto da escola primária está rodeado de ervas altas e árvores que cresceram sem regra. Escola na Azaruja.

 

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“Tenho uma máquina da roupa em casa, mas gosto de vir aqui porque há coisas que só ficam boas lavadas à mão. Assim aqui, lavamos e temos companhia de outras pessoas também”.O enxaguamento final. São Miguel de Machede.

 

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Teco junto aos tomateiros que darão frutos no verão. Quinta em São Miguel de Machede.

 

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Janela no pátio traseiro  da escola, pelo qual só observamos um reflexo de nós mesmos. A tinta desaparece em escamas ao longo das brechas na parede. Escola na Azaruja.

 

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Vicência olha em redor enquanto organiza, para si e em voz alta, o que terá de ser colhido nos próximos tempos. Acima da sua cabeça, restam as folhas da parreira, cujas uvas foram comidas ou por si ou pelos pássaros. Quinta em São Miguel de Machede.


Fotografias nas aldeias de São Miguel de Machede e Azaruja, em Évora. Manhã de nevoeiro e frio, no mês de Novembro.


Joana

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